Trabalhadores com carteira assinada têm agora uma opção de crédito mais acessível. A Caixa Econômica Federal e outras instituições financeiras já ofertam o "Crédito do Trabalhador", um tipo de empréstimo consignado voltado para empregados com registro em carteira. Com a possibilidade de utilizar parte do FGTS como garantia, a modalidade promete taxas de juros reduzidas e um processo simplificado de contratação.

O programa, lançado pelo Governo Federal, tem como objetivo beneficiar mais de 19 milhões de trabalhadores formais ao oferecer taxas de juros cerca de 40% menores em comparação com o consignado tradicional. Esse tipo de empréstimo possui parcelas descontadas diretamente do salário, garantindo maior segurança para os bancos e oferecendo condições mais acessíveis para os trabalhadores.

Como funciona

O crédito está disponível para todos os trabalhadores com carteira assinada, incluindo empregados domésticos e rurais. Além disso, trabalhadores contratados por MEIs também podem participar, respeitando o limite de um funcionário por microempreendedor.

  • Desconto automático no salário: As parcelas do empréstimo são deduzidas diretamente da folha de pagamento.
  • FGTS como garantia: É possível utilizar até 10% do saldo disponível no FGTS, além de 100% da multa rescisória em caso de demissão.
  • Limite de comprometimento: O trabalhador pode destinar até 35% do salário bruto para o pagamento do empréstimo.
  • Solicitação online: A contratação pode ser realizada de forma prática pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital.
  • Juros mais baixos: As taxas são reduzidas em comparação a outras opções de crédito disponíveis no mercado.

Trabalhadores que já possuem empréstimos consignados poderão migrar para o novo modelo a partir de 25 de abril. Além disso, a portabilidade entre bancos estará disponível a partir de junho de 2025, permitindo aos trabalhadores buscar condições ainda mais vantajosas.

Quais bancos ofertam

A modalidade está disponível exclusivamente pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital. O trabalhador simula o valor desejado e recebe propostas das instituições financeiras participantes.

A partir de 25 de abril, todas as instituições financeiras poderão disponibilizar o crédito em suas plataformas digitais. Atualmente, dos grandes bancos, a Caixa Econômica Federal oferece o Crédito do Trabalhador, com taxas mensais variando entre 1,60% e 3,17%. Os trabalhadores podem solicitar o empréstimo diretamente pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital. Além da Caixa, outras fintechs também ofertam a possibilidade, como:

  • Banco do Brasil
  • Bradesco
  • Itaú
  • Santander
  • Nubank
  • Agibank
  • Parati Financeira
  • Banco Pan

A expectativa é que mais de 80 instituições financeiras estejam habilitadas para disponibilizarem o empréstimo consignado.

Nos primeiros sete dias após o lançamento do programa, o Banco do Brasil já movimentou mais de R$ 600 milhões em concessões de crédito. O Itaú Unibanco também aderiu desde o início, embora ainda não tenha divulgado detalhes sobre os volumes liberados ou as condições aplicadas.

Entre outras instituições que apareceram nas simulações iniciais estão o Agibank, que apresentou propostas com taxas competitivas, e a Parati Financeira, oferecendo condições consideradas vantajosas — embora ainda não haja dados consolidados sobre o montante ofertado por essas financeiras.

O Banco Pan também entrou na lista de participantes, disponibilizando empréstimos consignados para trabalhadores com carteira assinada, com prazos que podem chegar a 36 meses. Além disso, alguns bancos regionais e públicos que já atuam tradicionalmente no consignado para servidores, como BRB, BNB, Banese, Banrisul, Banpará, BAZA e Banestes também devem se integrar ao programa. No entanto, até o momento, não há confirmação oficial sobre o início efetivo das operações dessas instituições no Crédito do Trabalhador.

As propostas são encaminhadas pelo próprio app em até 24 horas, e somente após esse prazo é possível dar continuidade junto à instituição financeira. Durante esse período, não é possível fazer um novo pedido — o sistema permite apenas uma solicitação ativa por vez.

Como são definidos os valores e as taxas do empréstimo?

Ao avaliar uma proposta de crédito, os bancos levam em consideração alguns fatores-chave: o tempo de serviço do trabalhador, seu salário atual e as garantias oferecidas na contratação. O solicitante pode escolher entre oferecer até 10% do saldo do FGTS como garantia ou até 100% da multa rescisória — embora também exista a possibilidade de solicitar o empréstimo sem apresentar nenhuma garantia.

Com base nesses dados, a instituição financeira realiza uma análise de risco para decidir se concede ou não o crédito, e em quais condições. Vale lembrar que há um limite: o trabalhador não pode comprometer mais de 35% da sua renda mensal com o pagamento das parcelas.

Como contratar o Crédito do Trabalhador pela Caixa?

Os trabalhadores interessados podem acessar o novo crédito de duas maneiras:

  • Pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital: O sistema apresenta ofertas de diferentes bancos, permitindo que o trabalhador escolha a opção mais vantajosa.

  • Diretamente com a Caixa: A instituição destaca que oferece uma das taxas mais competitivas do mercado. Após a solicitação pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, o cliente pode ser direcionado para atendimento via WhatsApp ou precisar comparecer a uma agência.

A Caixa informou que as taxas do crédito consignado variam entre 1,60% e 3,17% ao mês, dependendo do perfil de crédito do solicitante. Para comparação, a taxa média cobrada pelos bancos no consignado CLT gira em torno de 3% ao mês, podendo chegar a 4,99% em algumas instituições. Por isso, é essencial analisar as condições antes de contratar.

Principais regras e condições

  • O trabalhador pode comprometer até 35% do salário bruto com as parcelas do empréstimo.
  • É possível utilizar até 10% do saldo do FGTS e 100% da multa rescisória como garantia.
  • O solicitante tem até 7 dias para desistir do crédito após o recebimento do valor.
  • A partir de 25 de abril, os bancos privados também poderão oferecer essa linha de crédito.
  • A Medida Provisória que regulamenta o programa já está em vigor, mas precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional em até 120 dias para continuar válida. O governo ainda realiza ajustes para garantir o pleno funcionamento da iniciativa.